21ª edição do Festival Amazonas de Ópera encerra com casa cheia

21ª edição do Festival Amazonas de Ópera encerra com casa cheia

Após intensos 35 dias, a 21ª edição do Festival Amazonas de Ópera (FAO) chegou ao fim, na noite do último sábado (02/06), com a reapresentação de “Kawah Ijen – O vulcão azul” e com casa cheia: os ingressos foram esgotados na véspera do encerramento.

O FAO 2018 é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com patrocínio do Bradesco Prime – que celebra 10 anos de parceria com o festival –, incentivo do Ministério da Cultura (Minc) por meio da Lei Rouanet; além do apoio da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e da Aliança Francesa.

A temporada de ópera, que começou no dia 28 de abril, contou com cinco produções montadas no palco do Teatro Amazonas – “Faust”, de Charles Gounod; “Dessana, Dessana”, de Adelson Santos; “Florencia en el Amazonas”, de Daniel Catán; “Acis and Galatea”, de Georg Friedrich Handel; e “Kawah Ijen (O vulcão azul”), de João Guilherme Ripper – além de uma vasta programação paralela. Foram 25 apresentações –  entre récitas, concertos e recitais – na capital e no interior. O festival teve entre os destaques o “Ópera delivery”, projeto que contemplou 50 inscrições e levou ópera para casas, empresas e hospitais, aproximando ainda mais o público.

De acordo com o diretor artístico do FAO, maestro Luiz Fernando Malheiro, 2018 marca o retorno do festival em grande estilo, com produções clássicas e espaço para novas linguagens.

“Foi uma retomada do festival, de uma maneira fantástica e com uma qualidade que há alguns anos nós não tínhamos. Este ano tivemos cinco produções feitas em Manaus, num curto espaço de tempo, mas com uma qualidade impressionante”, comenta o maestro. “Cinco títulos importantes: ‘Faust’ , que é uma grande ópera de repertório; ‘Dessana, Dessana’, uma produção importante de uma ópera de compositor e libretista de Manaus; ‘Florencia’, produção fantástica que já emocionou públicos em vários países; ‘Acis and Galatea’,  que foi uma primeira incursão nesse tipo de repertório que é muito específico e que a gente iniciou este ano com o que batizamos de laboratório de ópera barroca; e ‘Kawah Ijen’, uma estreia mundial, uma obra encomendada especialmente para o FAO. Um festival muito rico, com um nível de qualidade internacional, sem dúvida”.

Para o secretário de Cultura, Denilson Novo, a entrega de todos os envolvidos, equipe técnica e todo o elenco foi muito importante para a qualidade do festival, além de aproximar mais da população das atividades da temporada.

“Sinto-me verdadeiramente honrado de trabalhar ao lado de pessoas que se dedicam e se entregam à crença de um Amazonas melhor para todos nós. Um lugar que merece se conhecer, se valorizar e descobrir novos caminhos para um desenvolvimento econômico pautado por seus próprios valores e potenciais” afirma o secretário. “Vamos em frente com essa fé que nos move e realiza o inesperado, quebra barreiras e desperta novos olhares. Sigamos atentos e de olhos bem abertos, pois estamos trabalhando não apenas com políticas públicas culturais, mas também para mostrar que o mundo ainda há de aprimorar muito a sua visão sobre o nosso Amazonas, começando por nós mesmos”.

Programação paralela – Além das récitas no palco do Teatro Amazonas, o FAO 2018 contou com “Recitais Amazônicos”, com obras de compositores amazonenses, apresentados em Manaus e nos municípios de Manacapuru, Novo Airão e Iranduba; “Dessana Pocket” nos centros de convivência; concertos temáticos e exposições em shoppings; “Ópera Studio”, projeto desenvolvido pela Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); masterclasses de canto, cenografia e gamelão; e com o “Ópera delivery”.

O diretor artístico destaca que a programação alternativa é muito importante para levar o FAO para um público que não tem acesso.

“Esse braço do festival, fora do Teatro Amazonas, eu sempre considerei muito importante porque ainda tem gente em Manaus que se sente intimidada pelo teatro em si, pelo prédio, tem medo de chegar, acha que não é para ele, o que não é verdade porque o festival tem ingressos acessíveis e a gente o faz para a nossa população”, afirma Malheiro. “E um diferencial desse ano, ideia brilhante do (Francis) Madson, o ‘Ópera delivery’ foi um grande sucesso, uma ideia original e que funcionou maravilhosamente, com uma repercussão ótima, os cantores envolvidos adoraram fazer e isso também foi um ponto bastante importante”.

Público – O contador paranaense Rogério Scussel, 39, mora há um ano em Manaus e, pela primeira vez, participou do FAO, foi só elogios.

“É a primeira edição que eu venho, mas acompanhei várias óperas. Só não assisti a ‘Florencia’, nas demais vim em todas, achei muito legal, as montagens foram muito boas, bem estruturadas. Na minha opinião, ‘Acis’ foi uma das mais animadas, cenário diferente, com rotação de cenário, foi bem bacana, gostei muito”, conta.

Mariana Ruiz também fez sua estreia no Festival de Ópera. A turista mexicana disse que “Kawah Ijen” superou suas expectativas.

“Gostei muito, venho do México, estou fazendo um passeio aqui no Amazonas. Vi o cartaz, vim assistir e estou curtindo muito”, comenta. “Superou minhas expectativas, pensei que seria algo muito mais simples, comparado com outras coisas que já vi, mas achei uma produção muito boa, qualidade dos artistas também”.

Mariana também destaca a acessibilidade do espetáculo. “Uma coisa que me deixou surpresa é que é muito interativa, muito lúdica, achei importante a parte de ser inclusiva também para as pessoas com necessidades especiais, com a tradução em Libras”, afirma.  “Gostei muito, o Teatro é maravilhoso, acho que é um evento que vale muito a pena”.

Nesta edição do Festival Amazonas de Ópera, a equipe de audiodescrição da SEC completa 160 apresentações enquanto a equipe de libras contabiliza 159. Durante o FAO, foram oferecidos todos os recursos de acessibilidade: folders, cardápio e roteiro em Braille.

 

Foto: MICHAEL DANTAS/SEC

Compartilhar