Consumidor pode sair no prejuízo com alterações no pagamento de cartões de crédito

Consumidor pode sair no prejuízo com alterações no pagamento de cartões de crédito

A partir do mês de abril as administradoras de cartão de crédito não poderão mais financiar o saldo devedor dos clientes por meio do crédito rotativo por mais de um mês. De acordo com a nova medida, a instituição financeira deverá parcelar o saldo devedor em linha de crédito com juros mais baixos do que os juros praticados no financiamento na modalidade de crédito rotativo.

No entanto, a nova regra não impede o uso do cartão mesmo se estiver no rotativo e não prevê nenhuma alteração do limite de crédito dos clientes. Quem estiver dentro do limite, poderá utilizar o cartão de crédito normalmente e na prática isso significa uma abertura para contrair dívidas, que quando acumuladas podem se tornar impagáveis.

Faltam garantias para que haja a redução de juros

A Resolução não estabelece qual é a modalidade de crédito a ser oferecida, deixando portanto, a exclusivo critério da instituição financeira a fixação da modalidade a ser oferecida. A única exigência é que a taxa de juros seja inferior à taxa do crédito rotativo.

Logo, se as taxas praticadas não possuem qualquer tipo de limite fixado pela legislação, não há de fato nada que garanta a redução dos juros praticados pelos fornecedores no caso de inadimplência que decorra da utilização do cartão de crédito. Afinal, muitos bancos já fazem o parcelamento do valor da fatura com juros inferiores aos cobrados no rotativo. Ainda assim, as taxas são altíssimas.

Medida pode agravar endividamento

Estudos apontam que, em 2016, a taxa média do rotativo ficou em 476% ao ano, enquanto a taxa média no caso da fatura parcelada foi de 236% ao ano. Isso significa que, na prática, ao contrário do que se propõe, a medida poderá ser a responsável pelo agravamento da situação financeira das famílias com a elevação dos índices de inadimplência do consumidor.

O parcelado do cartão tem juros menores do que o do rotativo, mas não o suficiente para que o consumidor não se atole em dívidas, pelo contrário, com o apelo de que no mês seguinte é possível parcelar o saldo devedor do rotativo a juros menores, acaba sendo o um incentivo ao uso do cartão de crédito de modo desenfreado e gerando dívidas  que viram uma ‘bola de neve’.

A nova medida em nada ajuda a diminuição dos juros do rotativo do cartão de crédito, além de ser paliativa, o problema maior ainda está na concessão de crédito fácil pelos bancos que ofertam limites de crédito muito além da capacidade de pagamento. Com isso, o consumidor o usa de forma desenfreada, se endivida e muitos acabam entrando no famoso rotativo em questão.

Por fim, diante das novas regras anunciadas pelo governo é preciso ter cuidado para não se iludir com uma hipotética redução da taxa de juros e acabar gastando além da sua capacidade de pagamento na esperança de conseguir quitar sua dívida com o cartão de crédito. Por isso, é importante usar o cartão de crédito de forma que seja possível efetuar o pagamento de todas as despesas no vencimento da fatura e evitar dívidas.

Fonte: Proteste

Foto: Internet

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