Fim da Zona Franca levaria à vulnerabilidade das fronteiras em favor do narcotráfico, alerta Arthur

Fim da Zona Franca levaria à vulnerabilidade das fronteiras em favor do narcotráfico, alerta Arthur

Tenho escrito exaustivamente sobre a importância da Zona Franca de Manaus para a preservação da floresta no território que cabe ao Amazonas. Há quem se coloque a favor da extinção do modelo e os amazônidas sabem muito bem os danos sociais e econômicos que daí adviriam: Manaus viraria porto de lenha, os estados da Amazônia Ocidental mais Amapá perderiam muito, a proteção das fronteiras se vulnerabilizaria, o país inteiro amargaria um prejuízo que vejo muitos brasileiros com dificuldade de entender.

O resultado seria o avanço de desesperados sobre a floresta com consequências funestas: alteração do regime de chuvas no Brasil inteiro, desajuste nos nossos dadivosos rios, crise econômica, diplomática e mesmo militar entrando na agenda da nação. Afinal, o mundo, sobretudo neste tempo de aquecimento global, jamais se conformaria com uma governança insensata sobre uma região de real e inegável relevância planetária. Sem contarmos que a falência do Amazonas muito possivelmente empurraria fartos contingentes de desesperançados para as fileiras do narcotráfico.

Tratar o Polo Industrial de Manaus como se ele fosse um sanguessuga fútil e oportunista de subsídios seria equívoco imperdoável. As consequências viriam, sob a forma de condenações as mais duras.

A Zona Franca precisa de reformas profundas em sua infraestrutura e não de cálculos frios cotejando custo de emprego com incentivos fiscais. Quem enxerga assim, simplesmente não enxerga. Vê o detalhe, porém ignora o todo, o global.

A Zona Franca precisa de ajuda do governo federal, em agradecimento ao seu papel de guardiã da maior floresta tropical do mundo e também pela possibilidade de parceria brilhante em torno da biodiversidade, da água, do aproveitamento sustentável de tantas riquezas que a natureza destinou à Amazônia. A OMC reconhece o papel ambiental do polo de Manaus. Impossível o Brasil pensar diferente.

Lembram quando o atual governo pensou em fundir os ministérios da Agricultura (de resultados excepcionais no agronegócio) e Meio Ambiente, que tem como missão coibir excessos e indicar os caminhos da sustentabilidade? Pois é! Corretamente, o presidente Bolsonaro recuou e adotou a posição justa.

O mesmo precisa acontecer em relação à Zona Franca. Vejam Mariana, vejam essa coisa trágica e torturante que é o desastre de Brumadinho. Desleixo da Vale do Rio Doce, fiscalização deficiente, desrespeito ao meio ambiente, mortes, famílias que perderam o eixo e a alegria, prejuízos econômicos de monta.

Imaginem agora se o que aconteceu com Brumadinho se desse na Amazônia, sob a forma de desmatamento desvairado. Imaginem!

Simplesmente não teria volta, não haveria retorno, não haveria indenização que desse jeito, não existiria nenhuma nota oficial que justificasse nada.

A floresta tem de ser mantida em pé, por razões nacionais e internacionais. A Zona Franca é a principal fiadora desse compromisso.

Aprendamos todos essa verdade, enquanto tal é possível. Enquanto a bola está conosco. Enquanto os dados ainda estão rolando. Enquanto a marcha da insensatez ainda pode ser detida.

 

Foto: Mário Oliveira / Semcom

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