Wilker visita Francisca Mendes e constata fila de dois anos para zerar cirurgia cardíaca

Wilker visita Francisca Mendes e constata fila de dois anos para zerar cirurgia cardíaca

Fotos: Alfran Leão e Wilkinson Cardoso

Sem estudar, poder brincar e, até então, com um único sonho: voltar a ter um coração forte. É desta forma que os pacientes que vem do interior do Amazonas em busca de uma cirurgia cardíaca no Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM), na Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, vem levando a vida. A unidade, apesar de ser referência em Cardiologia na região Norte, não está conseguindo oportunizar uma saída há mais de 500 pacientes.

No quarto de isolamento pediátrico do segundo andar do hospital, estão as jovens Mariana Rocha, 16, e Sâmia Lima, 12, que há um mês esperam por uma cirurgia. Sem previsão para entrar na tão sonhada sala cirúrgica e sem uma resposta do corpo médico e da direção do hospital para que a operação ocorra, as meninas de Carauari (distante 788 quilômetros de Manaus) buscaram apoio dos deputados estaduais, Wilker Barreto (Podemos) e Dermilson Chagas (PP), no corredor, quando ambos estavam fiscalizando a unidade de saúde, na tarde da última terça-feira (03).

“Ninguém dá uma resposta de quando vai ocorrer as cirurgias. Eu mesmo passei mal aqui ontem à noite mesmo tomando os medicamentos. Aí fica difícil esperar todo esse tempo. Estamos há mais de um mês e sem previsão para a cirurgia”, contou Mariana, depoimento este que gerou indignação por parte do deputado Líder da minoria.

“É o que eu chamo de falta de sensibilidade por parte do Governo. Elas não podem fazer nenhum tipo de brincadeira, nenhum esforço físico porque de uma hora para outra pode dar uma crise. E olha que vocês ainda estão aqui no hospital recebendo todo suporte, e aqueles que estão em casa, no interior? Infelizmente, o governo acha melhor investir em outras áreas do que salvar vidas. As pessoas estão morrendo e virando estatísticas”, criticou Barreto.

Um dos principais gargalos é a falta de leitos, que somam apenas quatro pediátricos, 12 adultos e 10 coronarianos. Para atender a demanda reprimida, de acordo com a direção da unidade, Dr. Juliana Braga, seria necessário o investimento por parte do Governo do Amazonas de R$ 2 milhões, o que garantiria mais 20 leitos para UTI adulto e 10 infantis. Outra necessidade do hospital é zerar as filas de cirurgia, que chegam a 480 pacientes de ablação e mais de 500 para cirurgia cardíaca (entre adultos e crianças).

“Hoje temos centros cirúrgicos parados porque não adianta operar sem ter suporte. Ao conversar com a direção, me foi passado que o investimento de R$500 mil reais resultaria em mais 10 leitos pediátricos. Atualmente, a unidade conta com um aparelho de ecocardiograma em estado precário (emprestado do Delphina) e outro sem funcionar. Com mais três máquinas, ao custo de R$300 mil cada, seria possível zerar as filas de diagnóstico das patologias clínicas e cirúrgicas, incluindo o de cateterismo, que demora, em média, seis meses para ocorrer. Se o governo usasse os quase R$2 milhões que vai custar a Semana da Pátria, e colocasse nesse hospital, ele poderia salvar muitas vidas”, disparou Wilker.

Ao lado da presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Patrícia Sicchar, o Líder da Minoria ainda constatou que o hospital só tem uma ambulância à disposição e é terceirizada. Por determinação do Ministério Público, toda unidade deve ter, no mínimo, uma ambulância própria. Além disso, testemunhou dois aparelhos de eletrocardiograma quebrados, falta de material e insumos, como o Risperidona e cateter para ablação, e uma sala cirúrgica sem funcionar. Ainda foi relatado que os enfermeiros e técnicos, um total de 560, não recebem há três meses.

“É um absurdo a falta de responsabilidade que esse governo tem com a saúde pública. Ao invés de investir no hospital que é referência em cardiologia da região norte, prefere pagar R$ 25 milhões para uma organização social administrar o elefante branco que é o Delphina Aziz e pagar R$ 3 milhões em Xerox na Secretaria de Segurança Pública. Isso para mim é crime, a forma que esse governo administra o Amazonas”, afirmou Dermilson Chagas.

Balbina Mestrinho está um caos

A visita no Balbina Mestrinho causou indignação no deputado Wilker Barreto, que foi até a unidade após receber várias denúncias via gabinete e mídia social. Uma delas foi de Gabriele Santos, moradora do Aleixo, que relatou a falta de enfermeiros e erros de procedimento com os recém-nascidos por parte da equipe técnica da unidade.

“Eles tentam maquiar a situação, mas a realidade é outra. Aqui estamos sem técnicos, e com a troca de empresa, está ocorrendo muitos erros por falta de experiência. Teve um inexperiente que trocou os prontuários e a enfermeira aplicou um antibiótico errado. A gente tem que ficar de olho e não pode confiar, fico aqui 24 horas. O Governo tira a empresa de enfermeiros com capacidade para colocar nossas crianças em risco. Como pode isso?”, questionou Gabriele.

A empresa em questão mencionada por Gabriele é a Coopeam, que entrou no lugar da Segeam. Essa é quarta empresa que o Governo troca no intervalo de três meses. Ainda na unidade, duas das três salas cirúrgicas estão fechadas. A realidade caótica ainda passa pela falta de leitos, colocando várias mães e recém-nascidos nos corredores, bem como retardando o processo cirúrgico. A médica plantonista ainda relatou que para realizar partos, há um profissional para cada sete grávidas.

“Isso aqui está um desespero só. Minha filha, Isis Vitória, nasceu há cinco dias e precisa urgente de uma remoção para realizar uma tomografia, pois aqui não tem. Mas eles não definem uma data, nem sequer passam uma data. Minha neném nasceu com hidrocefalia e precisa que isso se resolva. A moça que está ao meu lado na enfermaria têm dois meses aguardando remoção”, explicou Viviane de Matos.

Com 35 semanas, Francijane Monteiro está há cinco dias na maternidade e não tem previsão para o processo cirúrgico, mesmo mencionando contrações e muitas dores. “Estou com muito medo de acontecer algo com meu filho, pois o médico passa aqui, mas diz que não pode iniciar o processo de parto pois o centro cirúrgico está fechado e não há leitos. Isso me preocupa e, por enquanto, só fico tomando remédio para passar a dor e rezando para que nada de ruim aconteça”, lamentou a moradora do ramal Nova Esperança, km 62.

Convocação da Susam

Diante dos diversos transtornos nas duas maternidades, o deputado Wilker Barreto entrou com requerimento à Mesa Diretora da Aleam pedindo a convocação do secretário da Saúde (Susam) para cobrar explicações sobre o acompanhamento do término do contrato nº 061/2014, que faz a prestação de serviços no Hospital Universitário Francisca Mendes, que encerra no final do ano.

A intenção de Barreto é pedir maior atenção ao contrato firmado entre a Fundação Universidade do Amazonas (FUA) e a Fundação de Apoio Institucional Rio Solimões (Unisol). Na justificativa do requerimento, o deputado estadual demonstrou preocupação com o contrato prestes do fim, que se encerra em 04 de dezembro de 2019. A unidade hospitalar é considerada um centro de referência de Alta Complexidade em cirurgia Cardiovascular, Cardiologia Intervencionista, Cirurgia Endovascular e Elotrofisiologia, além de receber grande demanda no Sistema Básico de Saúde (SUS) na região Norte.

“Preocupados com a situação caótica da saúde pública no Estado, que vai desde os pagamentos atrasados à prestadores de serviços até a falta de medicamentos e leitos, se faz necessária à nossa atenção e acompanhamento do término contratual de Prestação de Serviços no Hospital Universitário Francisca Mendes, uma vez que se trata de interesse público. O Amazonas nasce nessa maternidade e precisamos da atenção do Governo”, explica a justificativa do requerimento.

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